Entre junho e agosto de 1985, Richard Ramirez invadiu casas em Los Angeles e arredores e atacou 25 pessoas, matando 13 e deixando outras 11 gravemente feridas. Não havia um padrão fixo de vítima, de método ou de localização que facilitasse a investigação: homens, mulheres, idosos, crianças, em bairros diferentes da cidade. A polícia demorou semanas para estabelecer que os crimes eram obra do mesmo homem. Quando o padrão foi reconhecido e o pânico se instalou na cidade, Ramirez já estava em plena atividade.
Ramirez tinha 25 anos durante os crimes. Era natural de El Paso, Texas, havia chegado a Los Angeles alguns anos antes. Usava sapatos diferentes para não deixar rastros consistentes, variava os pontos de entrada nas casas, e os crimes ocorriam em dias e horários variados. Sua captura foi resultado de uma combinação de trabalho policial, sorte e, no final, da própria imprudência dele: foi reconhecido por moradores num bairro de Los Angeles depois de aparecer nos noticiários, e estava sendo espancado por uma multidão quando a polícia chegou para prendê-lo.
O julgamento e a sentença
O julgamento começou em 1988 e durou mais de dois anos, sendo um dos mais longos da história da Califórnia até então. Ramirez foi condenado em setembro de 1989 por 13 homicídios, mais um conjunto de outros crimes graves incluindo tentativas de homicídio, estupro e roubo. Recebeu 19 penas de morte. Ao ser informado das sentenças, fez um gesto como se não se importasse e saiu sorrindo. Ficou no corredor da morte por mais de duas décadas. Morreu em 2013 de complicações de um linfoma, antes de ser executado.
Durante os anos no corredor da morte, Ramirez recebeu correspondência de mulheres que declaravam amor por ele, fenômeno que pesquisadores chamam de hybristofilia, a atração sexual por criminosos violentos. Chegou a se casar em 1996 com uma mulher que o havia escrito durante anos. O caso foi amplamente analisado como exemplo extremo desse fenômeno, que também apareceu em casos como o de Ted Bundy, que recebia correspondência apaixonada enquanto aguardava execução.
O legado na cultura pop
A série documental “Night Stalker: The Hunt for a Serial Killer”, disponível na Netflix, reconstruiu a investigação através de entrevistas com os detetives que o prenderam e com sobreviventes. A série foi bem recebida por dar voz às vítimas em vez de centralizar a narrativa no criminoso, abordagem que se tornou mais comum em produções de true crime após críticas sobre a glamourização de assassinos. O LA County Superior Court mantém registros públicos do processo. O FBI disponibiliza análises comportamentais sobre o caso em vault.fbi.gov.





