Entre agosto e setembro de 1998, uma sombra de terror pairou sobre São Paulo. Seis mulheres foram assassinadas no Parque Estadual da Cantareira e no Parque do Estado — duas das principais áreas verdes da cidade. O responsável foi Francisco de Assis Pereira, que ficou conhecido como o Maníaco do Parque: um dos serial killers mais perturbadores da história criminal brasileira.
Quem era Francisco de Assis Pereira
Francisco de Assis Pereira nasceu em 1963, em São Paulo. Ao contrário do estereótipo popular de serial killer solitário e antissocial, Pereira era considerado um homem comum: trabalhava como vendedor ambulante, era casado e tinha filhos. Frequentava festas, tinha amigos, ria com os vizinhos. Nada em sua aparência exterior indicava o que se passava por dentro.
Ele era atraente e tinha um talento particular para conquistar a confiança das pessoas. Usava esse charme de maneira calculada — e foi exatamente essa habilidade que lhe permitiu abordar suas vítimas sem levantar suspeitas imediatas. As mulheres que ele matou não foram surpreendidas por um estranho ameaçador. Foram conquistadas por um desconhecido aparentemente simpático.
O Modus Operandi
O padrão de Pereira era sempre similar. Ele abordava mulheres que estavam sozinhas nos parques, geralmente fazendo exercícios ou caminhando. Iniciava uma conversa, fingia interesse romântico e conseguia convencê-las a se afastar das áreas mais movimentadas. Uma vez em local isolado, atacava.
As vítimas eram estupradas e assassinadas. Os corpos foram encontrados em diferentes pontos dos parques, sempre em áreas de mata fechada, distantes dos caminhos principais. A brutalidade dos crimes era evidente, mas a frieza com que Pereira retornava à vida normal depois de cada ataque era o que mais perturbava os investigadores quando o caso veio à tona.
As Vítimas
Seis mulheres foram assassinadas por Francisco de Assis Pereira entre agosto e setembro de 1998. Elas tinham idades variadas, vinham de contextos diferentes, mas compartilhavam um único destino: cruzar o caminho do Maníaco do Parque. Seus nomes foram reverenciados ao longo do processo judicial, mas a cobertura midiática da época frequentemente as reduziu a “vítimas do maníaco” — um apagamento da individualidade que o movimento de mulheres criticou com razão.
Pesquisadores que estudaram o caso posteriormente identificaram um padrão nas vítimas: Pereira selecionava mulheres que estavam sozinhas e que pareciam dispostas a uma conversa. Ele era paciente, capaz de investir tempo na aproximação antes de atacar. Isso indica um nível de planejamento que vai além do impulso — e que classifica seus crimes como premeditados, não apenas oportunistas.
A Captura
A prisão de Francisco de Assis Pereira aconteceu em setembro de 1998, graças a uma sobrevivente. Uma mulher conseguiu escapar de seu ataque e forneceu à polícia uma descrição detalhada. A descrição levou a uma investigação que identificou Pereira rapidamente — ele tinha passagem anterior pela polícia por crimes sexuais, embora não tivesse cumprido pena efetiva.
Quando foi preso, Pereira não demonstrou remorso. Nas primeiras declarações à polícia, tentou minimizar os crimes e apresentou versões contraditórias dos eventos. Mas as provas contra ele eram esmagadoras — material genético, depoimentos da sobrevivente e testemunhas que o viram nos parques.
O Julgamento e a Condenação
Francisco de Assis Pereira foi julgado e condenado a mais de 268 anos de prisão — uma pena simbólica, já que a legislação brasileira limita o cumprimento efetivo a 40 anos. A condenação incluiu os seis assassinatos e os crimes sexuais conexos.
O julgamento trouxe à tona debates importantes: sobre a falha do sistema em punir adequadamente crimes sexuais anteriores, sobre a segurança das mulheres nos espaços públicos de São Paulo e sobre os mecanismos que permitem que um serial killer opere por semanas sem ser identificado.
O Impacto no Brasil
O caso do Maníaco do Parque mudou o comportamento de milhares de paulistanos. Os parques, que eram espaços de lazer e exercício físico, passaram a ser vistos com desconfiança — especialmente por mulheres que frequentavam esses locais sozinhas. A cobertura midiática intensa, com detalhes gráficos e reconstruções dos crimes, alimentou tanto o medo quanto a fascinação pública.
O caso também expôs problemas estruturais: a falta de policiamento em áreas verdes urbanas, a subnotificação de crimes sexuais e a morosidade do sistema de justiça em processar agressores com histórico de violência sexual antes que cometessem crimes mais graves.
O Maníaco do Parque Hoje
Francisco de Assis Pereira permaneceu preso por décadas. Em 2019, completou 40 anos de prisão efetiva — o limite máximo permitido pela legislação brasileira — e foi colocado em liberdade. A notícia gerou indignação pública renovada. Para as famílias das vítimas, ver o homem responsável pela morte de seus entes queridos sair da prisão foi uma segunda ferida que jamais cicatrizou completamente.
O caso do Maníaco do Parque permanece como um dos mais sombrios da história criminal de São Paulo: um lembrete de que o perigo nem sempre tem a face que imaginamos, e de que a capacidade humana para o mal pode coexistir com uma aparência de normalidade perturbadoramente convincente.





