Ed Gein: O Homem que Inspirou Hannibal Lecter, Psicose e o Massacre da Serra Elétrica

Em 16 de novembro de 1957, a polícia de Plainfield, Wisconsin, foi até a fazenda de um homem chamado Edward Theodore Gein investigar o desaparecimento de Bernice Worden, proprietária de uma loja de ferragens da cidade. O que encontraram dentro da propriedade reorganizou tudo que os investigadores pensavam conhecer sobre o tipo de coisa que uma pessoa pode fazer.

Ed Gein confessou o assassinato de Bernice Worden e de outra mulher, Mary Hogan, morta três anos antes. Dois assassinatos. No papel, isso não o coloca no mesmo patamar numérico de outros casos desta série. O que separa Gein de qualquer outra categoria é o que a polícia encontrou dentro da fazenda: crânios transformados em tigelas, ossos usados como objetos decorativos, pele humana curtida e transformada em capa, uma cadeirinha feita de peças de cadáveres, e o corpo de Bernice Worden pendurado num gancho de cabeça para baixo, como um animal abatido.

A fonte de tudo isso

Ed Gein não havia fabricado a maioria dos materiais a partir de suas duas vítimas. Desenterrou corpos de cemitérios próximos durante anos, principalmente de mulheres com idades e físicos similares aos de sua mãe, Augusta Gein, que havia morrido em 1945. Augusta era a figura central da vida de Ed, uma mulher profundamente religiosa que havia criado os filhos em isolamento quase total, convencendo-os de que o mundo exterior era pecaminoso e que as mulheres, com exceção dela própria, eram prostitutas.

Quando Augusta morreu, Ed ficou sozinho na fazenda, com o único relacionamento central de sua vida desaparecido. O que começou como visitas aos cemitérios para ficar perto de sua mãe foi evoluindo para algo que os investigadores e psiquiatras que estudaram o caso definiram como uma obsessão de escala raramente documentada. Ele queria recriar Augusta, literalmente.

O impacto na cultura

O caso de Ed Gein foi revelado ao público em 1957 e gerou um nível de comoção que ultrapassou o círculo do jornalismo policial. Três dos filmes de terror mais influentes da história têm ele como inspiração direta: “Psicose” (1960), de Alfred Hitchcock, usou elementos da personalidade de Gein para criar Norman Bates; “O Massacre da Serra Elétrica” (1974) adaptou a decoração macabra da fazenda; e “O Silêncio dos Inocentes” (1991) construiu Hannibal Lecter a partir de traços de múltiplos criminosos reais, incluindo Gein.

A diferença entre a ficção e a realidade é que Gein não tinha o charme articulado de Hannibal Lecter nem a agressividade caricata de Leatherface. Era tímido, quieto, considerado um vizinho agradável pelos poucos moradores de Plainfield que conviviam com ele. Babysitter de crianças da região, participante de eventos comunitários, compra de leite na loja da vítima dias antes de matá-la. O horror da história de Ed Gein é o horror da total invisibilidade.

O julgamento e o que veio depois

Gein foi declarado inimputável por insanidade em 1958 e internado no Hospital Mendota, em Wisconsin. Em 1968, foi julgado e condenado por um dos assassinatos, mas imediatamente devolvido ao hospital psiquiátrico. Morreu ali em 1984, aos 77 anos, de insuficiência respiratória.

Comparado a outros casos desta série, como o de Garanhuns, onde os crimes tinham uma dimensão coletiva e comercial, o caso de Gein é radicalmente solitário. Um homem, uma fazenda, uma obsessão. O FBI Crime Classification Manual usa o caso de Gein como referência para a categoria de crimes motivados por fetichismo e necrofilia, documentando como o isolamento social prolongado pode alimentar fantasias que, sem qualquer interrupção ou contato externo, crescem até se tornar o único referencial de realidade do indivíduo.

A fazenda em Plainfield foi demolida em 1958. Parte dos objetos encontrados foram destruídos pela polícia; outros foram para arquivos forenses. O carro de Gein foi leiloado e comprado por um empresário de parque de diversões que o exibia como atração. Havia fila para vê-lo. A fascinação pelo caso não nasceu com os filmes. Estava lá desde o início.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima