Aileen Wuornos matou sete homens na Flórida entre 1989 e 1990. Era prostituta que trabalhava nas rodovias do estado, e todos eram clientes. Ela disse, em todos os casos, que havia agido em legítima defesa, que os homens haviam tentado estuprá-la antes de morrer. O júri não acreditou. Foi executada em outubro de 2002, aos 46 anos.
A vida de Wuornos é uma das histórias mais brutais entre serial killers americanos. Abandonada pelos pais, sofreu abuso sexual na infância, engravidou aos 14 por estupro, foi expulsa de casa aos 15. Passou décadas vivendo nas ruas, sobrevivendo de prostituição. Quando começou a matar, havia vinte anos nessa situação de vulnerabilidade extrema.
O julgamento e a questão da legítima defesa
A defesa apresentou as mortes como atos de autodefesa de uma mulher com razões reais para temer clientes violentos. Prostitutas são vítimas de violência em proporção muito maior que a média. Isso não convenceu o júri. Em entrevistas antes da execução, Wuornos se contradisse: ora afirmou legítima defesa, ora disse ter matado por prazer. O documentarista Nick Broomfield a acompanhou até o fim e gravou sinais de deterioração mental significativa.
O cinema e o debate que ficou sem resposta
O filme “Monster” (2003) com Charlize Theron apresentou Wuornos com humanidade que o processo nunca teve interesse em exibir. A questão central nunca foi respondida: se uma mulher com essa história poderia ter recebido julgamento justo. O FBI mantém registros sobre o caso em vault.fbi.gov. O caso também é analisado em relatórios da Anistia Internacional sobre violência contra trabalhadoras sexuais.





