Entre 2011 e 2014, pelo menos 39 pessoas foram assassinadas em Goiânia em circunstâncias similares. As vítimas eram abordadas em vias públicas, frequentemente por alguém em motocicleta. A investigação da Polícia Civil de Goiás foi lenta. Quando Tiago Henrique Gomes da Rocha foi preso em outubro de 2014, confessou os crimes com um nível de detalhe que perturbou os investigadores e confirmou o que a polícia havia tardado a reconhecer: a cidade havia abrigado, por três anos, um dos mais prolíficos assassinos da história do Brasil.
Tiago Henrique era funcionário de uma empresa de dedetização. Usava uma moto para se locomover, o que facilitava as abordagens e a fuga. Suas vítimas incluíam mulheres, homens, idosos, adolescentes. Não havia um perfil único. Ele mesmo descreveu para os investigadores, em depoimento gravado, que havia começado a matar quase por acaso e que o impulso havia se tornado progressivamente mais frequente e incontrolável. A frieza com que narrou os crimes foi amplamente citada pela imprensa como elemento perturbador do caso.
O episódio que a polícia prefere não lembrar
Um dado relevante, que recebeu menos atenção do que merecia, é que Tiago Henrique havia se aproximado da polícia antes de ser preso. Segundo relatos de investigadores e cobertura jornalística posterior, ele havia frequentado uma delegacia em contexto que poderia tê-lo identificado mais cedo. A polícia o liberou. Não há confirmação oficial detalhada sobre esse episódio, mas ele é citado em análises do caso como um ponto de falha da investigação que permitiu que os crimes continuassem.
Após a confissão, a investigação tentou mapear todos os crimes que ele havia cometido. O número final de vítimas foi disputado ao longo do processo. Tiago Henrique foi condenado a mais de 20 anos de prisão. Apelações reduziram e depois reestabeleceram partes da condenação ao longo dos anos seguintes.
Goiânia no mapa do true crime brasileiro
O caso Tiago Henrique colocou Goiânia no debate nacional sobre segurança pública e investigação de serial killers no Brasil. Até então, os casos mais conhecidos vinham do eixo Rio-São Paulo. O caso revelou que as estruturas de investigação de crimes seriais no interior do país tinham deficiências documentadas. O padrão de demora para reconhecer uma série de crimes como obra de um único autor, identificado no caso Tiago Henrique, aparece também em outros casos brasileiros como o de Francisco das Chagas no Maranhão. O Canal Ciências Criminais publicou análise detalhada do caso disponível em canalcienciascriminais.com.br.





